24 de julho de 2017

Jurados entendem que a morte de Mayara Parize foi apenas um “acidente de trânsito”

O réu João Maria de Oliveira, de 63 anos, que causou a morte da estudante universitária Mayara Isabela Parize, de 19 anos, em um acidente de trânsito registrado no dia 05 de julho de 2012 na BR-470 em Campos Novos foi condenado com pena definitiva de três anos em regime aberto. O Júri Popular ocorreu na última sexta-feira (21) no Fórum da Comarca de Campos Novos, onde os jurados entenderam o crime de trânsito como um “acidente comum”.

 João Maria estava em visível estado de embriaguez e conduzia um Fiat Tipo e ao tentar fazer uma ultrapassagem forçada de um caminhão, invadiu a pista contrária e colidiu de frente com a motocicleta Honda Biz conduzida por Mayara.

O resultado da sentença causou indignação à família da jovem Mayara, que através do advogado Mayck Wilhan Fagundes, emitiu uma nota no final da tarde desta segunda-feira (24). Confira na íntegra:


A família de MAYARA PARIZE, ainda inconformada com o entendimento adotado pelo Conselho de Sentença do Tribunal do Júri da Comarca de Campos Novos, na última sexta-feira (21), manifesta-se à imprensa e à sociedade Camponovense através desta nota, a fim de demonstrar sua opinião quanto ao resultado do processo.

Muito embora se respeite a decisão escolhida não se pode, de forma alguma, concordar com o Conselho de Sentença. É bastante difícil compreender como os jurados entenderam ter havido um mero acidente, quando um condutor sem habilitação, extremamente embriagado e na contramão de direção, tirou a vida de nossa querida MAYARA.

Aliás, a decisão nos parece tão incoerente que o motorista chegou, inclusive, a ser absolvido por estar dirigindo embriagado, circunstância que sempre foi fato incontestável durante todo o processo!

Sempre vemos reclamações de pessoas indignadas com a impunidade que ocorre neste país. Entretanto, quando a sociedade tem a oportunidade de, ela própria, analisar um caso tão emblemático, se omite e se contradiz, achando “normal” a morte de uma jovem de somente 19 anos de idade, por um motorista embriagado, sem habilitação e transitando na contramão.

Aguardamos por longos cinco anos, tomados pela saudade, apenas para que tivéssemos o julgamento. Agora vemos que o condutor não foi penalizado sequer com este prazo, fato que nos revolta e entristece, a ponto de sentirmos verdadeira vergonha da própria sociedade em que vivemos.

Esta sociedade, por seus jurados representantes, perdeu a chance de dar um bom exemplo: dizer que não tolera esse tipo de situação havida. Esperamos, de todo coração, que estes senhores nunca precisem reclamar a morte de um ente querido nestas mesmas condições.

O que resta de lição é que a justiça dos homens é falha. Resta confiar na intercessão divina, a que todos precisaremos nos submeter.


Saudades eternas de MAYARA. Diferentemente do que disseram, nós sempre acreditaremos que sua morte não foi em vão. Nosso muito obrigado a todos os que sempre compartilharam dessa mesma convicção.




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